Tenho como objetivo fazer uma reflexão entre dois líderes que tiveram em suas mãos o mesmo poder e autoridade, mas que tiveram posturas diferentes de liderança.
Sabemos que ser líder é um desafio muito grande pela responsabilidade de conduzir pessoas à realização de tarefas e ao alcance de metas.
Diversos estudos sobre liderança afirmam que há pessoas que são lideres natos, e aqueles que aprendem a ser lideres. Até concordo com a afirmação, porem, gosto de um comentário de John C. Maxwell que diz que todos somos como sementes, uma semente já é pronta mais ela precisa se desenvolver para chegar a mostrar o seu fruto. Tanto líderes natos como os que ocupam a posição de liderança precisam se desenvolver. É a lei do processo.
E o pastor?Só nós mesmos podemos dizer o tamanho do desafio que é liderar o rebanho do Senhor. É uma responsabilidade muito grande e sabemos que se não fizermos haverá cobrança, não de homens, mais daquele que nos arregimentou. Há pastores que são lideres natos e há aqueles que nunca pensaram em ser um líder, mas tanto um como o outro não pode fugir do processo da semente.
Embora a função seja a mesma em se tratando de ser pastor, a postura de cada um não tem sido a mesma no exercício de suas atribuições. Creio que observando um pouco sobre os dois Faraós podemos tirar algum proveito para nossa vida pessoal.
Uma das coisas que observo muito entre os pastores que lideram seu rebanho é o pastor centralizador. A pergunta que faço é: “O pastor é centralizador porque esse é o método mais eficaz de liderar, de modo que agindo assim o risco de erros é menor, ou talvez inconsciente ou ate mesmo consciente pastores são centralizadores porque possuem uma certa insegurança de perder seu lugar por alguém que se destaque mais entre o rebanho?
Observando a história de José filho de Jacó que tem inicio no capitulo 37 do livro de Genesis pude observar como a postura de liderança de Faraó como um líder tem muito a nos ensinar.
Faraó entra em cena a partir do cap.40 colocando em disciplina dois homens que serviam no palácio, que provavelmente deveriam ter feito algo que ofendera muito a Faraó cap.41:9 “...lembro-me das minhas ofensas” A partir de então a narrativa traz o relato que Faraó começou a ter sonhos que o incomodava e seus magos não puderam interpretá-los.
1ª Lição – Faraó foi um líder humilde – Mesmo sendo o homem mais importante e poderoso do Egito, ouviu o conselho do copeiro que na prisão havia um homem que talvez poderia ajudá-lo. Ele não tinha certeza porque não conhecia José nem o Deus de José, mas Faráo se preocupava com o bem estar do seu reino e nesse momento toda ajuda é bem vinda.
No decorrer dessa história até o capitulo final de Genesis você irá observar muitos comportamentos de humildade em Faraó.
2ª lição – Um líder capaz de discernir uma mensagem de alerta - 7 anos de fartura e 7 de iscasses, vindo de um preso, teria que ter mesmo sensibilidade para discernir que seu reino estava correndo grande risco e que aquela não era mais uma das fantasias da cabeça dos magos que muitas vezes não sabiam o que falar, e falavam qualquer coisa. Eu creio que Deus fez isso, colocou essa sensibilidade em Faraó para discernir que o sonho era um aviso real.
3ª lição – Sabedoria e Ousadia - Logo chegaria o cumprimento daquele sonho, certamente seu reino estava em risco e Faraó líder absoluto precisava tomar alguma providencia. Reconhecendo que o Espírito de Deus estava sobre José Gn 41:38, o elege administrador de tudo. V.40. Vejo que até então Faraó usa de sabedoria e ousadia tomando essa decisão. Lideres precisam tomar decisões em tempos de crises e muitas vezes em tempos de crises essas decisões precisam ser dosadas com uma boa medida de coragem, afinal quem estava garantindo que daria certo guardar alimento por 7 anos armazenado a quinta parte. Faraó confia um desafio a José, José assume um desafio.
4ª lição – Um líder seguro – Para mim aqui é onde eu vejo que muitos pastores estão confusos e inseguros com relação ao seu chamado e função. Quando se sentem ameaçados pelos seus liderados, e não adianta dizer que não, pois isso é uma realidade e é onde que os pastores se tornam centralizadores em sua liderança e se um dia o pastor for embora a igreja acaba porque as ovelhas vão também.
A tremenda lição de liderança que eu aprendo sobre Faraó foi que a bíblia em nenhum momento comenta que ele se sentiu ameaçado, tanto nos primeiros 7 anos de fartura, como nos 7 de escasses onde José acumulava riquezas para o Egito, e status porque todos vinham a ele para negociar alimentos, e nem no momento que Faraó viu chegar toda a família de José (70 pessoas), e ao longo dos anos foram crescendo se estabelecendo e se multiplicando no Egito ele sentiu que estava ameaçado e perder seu trono.
Me recordo do episódio do rei Saul quando ficou enciumado ao ouvir as mulheres contarem: “E as mulheres dançando e cantando se respondiam umas às outras, dizendo: Saul feriu os seus milhares, porém, Davi os seus dez milhares. (I Samuel 18 : 7)”. Não vejo Faraó tendo essas posturas.
5ª lição – Faraó um líder Compreensivo e Generoso – Gn 47:1-6- José apresenta sua família a Faraó. Repare o v.1 “Meu pai, irmãos, rebanhos, gados,....” ou seja, a família toda e tudo o que tinham de gado, eram consumidores e não produtores pelo menos para aqueles próximos 5 anos que restavam ainda de escasses e estavam chegando para ficar.
Pense na situação do momento:
1) Escasses na terra, isso quer dizer tempo de economizar;
2) Eram Hebreus, quer dizer a prioridade eram os Egipcios;
3) Eram pastores de Gado, os egípcios não gostavam de pastores Gn 46:34b
Faraó nos dá uma lição de compreensão entendendo a necessidade da família de Jacó e Generosidade dando a eles o melhor lugar do Egito para ficarem, Gosén e ainda deu emprego aos irmãos de José v.6
Aprendo aqui muito sobre a postura desse grande líder do Egito, Faraó que reinou no tempo de José.
Mas convido você analisar comigo agora a postura de liderança de um outro líder do Egito, após o tempo de José que se encontra registrado no livro de Êxodo 1:8 “Depois, levantou-se um novo rei sobre o Egito, que não conhecera a José”.
Já tive a oportunidade de passar por duas experiências em meu ministério, que foi a de iniciar um trabalho novo e outra de assumir um trabalho existente por outra liderança. Duas experiências muito diferentes que exigem estratégias diferentes para cada uma delas.
Faraó assume uma liderança de um trabalho já existente. O que ele poderia fazer?
Lições Negativas:
1ª Lição – v.8 “...um novo rei que não conhecera a José” - Começar seu trabalho conhecendo a historia dos egípcios e os hebreus que viviam lá; Porque hebreus viviam no Egito; Se eram pessoas de bem ou não ( E se você reparar de fato eram pessoas trabalhadoras, tipo famílias, não sabiam guerrear até então);
2ª Lição - Pesquisar se eles estavam dispostos a ajudar ou não; Quais eram seus sonhos; Quais eram suas habilidades, etc...
Talvez se Faraó começasse por ai a historia seria outra, mas em vez disso teve posturas de um líder de um caráter fraco e pouca sabedoria.
3ª Lição – Não soube aproveitar o potencial do seu povo - Faraó percebe que os hebreus eram muito numerosos no Egito e isso o intimidou, porem, Faraó poderia muito bem ver tudo isso como um potencial de crescimento para seu reino e posiciona los conforme suas habilidades e faixa etária estrategicamente;
4ª Lição – v.10 “...usemos de astucia....” Usou a pouca inteligência que tinha para criar confusão, opressão e divisão no seu próprio reino. Isso é o que chamamos de desperdício de talentos. Mas Faraó poderia prepara los para serem lideres, buscar aqueles que se destacassem para assumir influencia sobre todo o povo.
5ª Lição – v.15 Mandou matar os recém nascidos meninos para impedir o crescimento – Há pastores que fazem isso na igreja quando percebem alguém crescendo e destacando-se na obra. O coitado do irmão fica oprimido dentro de sua própria casa. Faraó em vez de matá-los poderia formá-los com sua visão, sua influencia, equipá-los para serem lideres
Conclusão:
Diante da posição de liderança que assumimos temos sempre muitas decisões a tomar, muita gente para liderar, muitos desafios, porem, possíveis, pois Deus não colocaria nada em nossas mãos que não fossemos capazes de fazer Mateus 25:15 “E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe”.
A exposição desse dois lideres nos ajuda a avaliar e comparar como estamos e quem somos em nossas atribuições.
Acredito que como estamos sempre no desenvolvimento da vida cristã posso através do exposto avaliar e aprender fortalecendo minhas qualidades e corrigindo minhas fragilidades. Seja humilde.

Deus te abençoe!
Pr. Fabio Rebonatti
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